30 setembro 2005

Retorno salutar

Volto agora finalmente à minha terra natal depois de uma extensa viagem por uma área que, de um modo ou de outro, sempre se fez presente na minha vida. Já perambulei outras vezes por aquelas bandas, mas nunca havia me deixado lá tanto tempo como dessa última vez.
Este não tão bom filho que vos fala torna à casa porque, de fato, aquele local não lhe era muito hospitaleiro. É um espaço frio, sistemático, onde parece existir um programa-padrão dizendo o que se pode ou não fazer, o que não permite a escolha e, muitas vezes, nem a criação de modos mais pessoais de ligação entre as idéias que estão no ar e os indivíduos propriamente ditos. Trata-se realmente de um atentado contra os sentimentos e a criatividade das pessoas.
Pois bem! Cá estou eu de novo, retomando devagarinho o meu devido lugar. Essa viagem que fiz escrevendo em língua inglesa foi proveitosa no sentido de saber, ou melhor, de sentir o quanto posso ser livre e, acima de tudo, ser eu mesmo, fiel às essências das idéias, se estiver na minha verdadeira pátria que, em conjunto com aquele nobre escritor é, sem dúvida,a Língua Portuguesa. Lar, doce lar, ou o que quer que seja, é um grande prazer estar de volta!!!!

Luis Gustavo D. Pereira

26 setembro 2005

Bossa da Nossa

(uma cena de um verão passado...)

Sai a nossa moça
E passa na praça
A graça da Raça!
E não dá licença
A paixão-desavença
Da sua presença
E, de quando em quando,
Eu ando pensando
Vagando, buscando,
Fingindo, cumprindo
Caindo, sorrindo
No se do ensejo
Com esse desejo
De roubar-lhe um beijo,
Um beijo, um beijo
Não sou sertanejo
Mas tiro o chapéu
P'ro seu manuel
O fazedor de pastel
É ele o destino
Da doce felino
Que vai pela frente
Cantando contente
Andando, pensando
Vagando buscando,
Sorrindo, cumprindo
Abeça de pressa
A regressa promessa
De voltar outra vez.
Luis Gustavo D. Pereira

24 setembro 2005

Coisas de criança...

- Gustavo, vá até a padaria e compre seis médias e quatro carás...
Somente nesso momento, percebi que a infância realmente fora embora, levando consigo a mágica que fazia as coisas acontecerem sem que eu percebesse.
As bolachas, por exemplo, sempre apareciam no armário e, por saber disso, eu ficava furioso quando alguém dizia que elas tinham acabado. E perguntava mais dez vezes sobre as guloseimas, pois só poderia ser um erro daquela pessoa que dava a triste notícia. Pois as bolachas sempre estavam lá. Sempre
Outra coisa é que conscientemente, eu sabia que , em determinado dia da semana, as roupasseriam lavadas. E inconscientemente, tinha comigo que, por mais que usasse essas vestimentas, elas fatalmente retornariam limpas e cheirosas para o armário. Mas confesso que não foi de pronto que percebi que as roupas mantinham-se limpas porque eram lavadas em determinado dia da semana.
Aconteceu quase o mesmo com a situação "papel higiênico". Ainda que o usasse, ele sempre se enchia sozinho. Até o dia que ele acabou bem no meio de um "serviço": travei-me, olhando para o rolo vazio - que não se encheu sozinho - sem saber o que fazer. Deu medo. Medo chama perigo. Para o perigo, a solução eficaz: manheeeeeê!!!!!
Mas, no fundo, a criança precisa dessa segurança de saber, ou melhor, de sentir, mesmo que não saiba, que tudo o que precisa estará lá. Quando ela cresce um pouco, acaba aprendendo o "porquê" de as coisas estarem onde estão. Depois, conhece o modo de fazê-las ir para lá. E aí, passado um tempo, escolhe o "porquê" ou o "como" e se dedica totalmente ao assunto, isso quando não estuda mais um pouco e vai aprender a "fazer" as coisas que antes somente usava.
E, com a busca matinal dos pão - que outrora surgia quentinho, já com margarina e junto de um copo de leite em cima da mesa - tive de aceitar o fato de que os períodos de estabilização mental denominados primeira e segunda infância oficialmente tiveram seu fim e que a mágica acontece somente quando naturalmente falamos, mesmo que seja no pensamento:
- Ah, então é assim que isso acontece!
Não tenho experiências suficientes, mas arrisco-me a dizer que a mágica, na verdade, é viver...
Luis Gustavo D. Pereira

22 setembro 2005

Eterna confusão

(Essa idéia ocorreu-me graças a alguém que disse que meu maior problema é pensar. Acabei concordando...)

Pensar traz problemas.
Pensar é um problema,
Sempre o foi.

E coitado de mim!
Se penso sobre pensar,
Lá vem problema de problema!

Então, como se já não existissem problemas
Trago este um, que traz outro
que pode trazer outro
Ê, laiá!!

Criar problemas é sempre um erro.
E coitado de mim, de novo!
Erro errando no erro errado
Ai, ai ,ai...

E, para não errar mais,
Pensar bem é necessário...
Mas pensar traz problemas,
E lá vamos nós de novo...!

Luis Gustavo D. Pereira

16 setembro 2005

Esconderijo

Bom dia!
Certo, ainda não o conheço
Mas desculpe minha mania
De cumprimentar quem não me tem apreço.

Boa tarde!
Olhar frio, sem resposta
Entendo o fato em parte
Pois nunca fomos companheiros de aposta.

E ao colega mais distante
O mais simples "como vai?"
É motivo de susto no instante
E com plena desconfiança ele sai.

E se dou boa noite,
Fuga! E até a bolsa é escondida
Mas não lhe tenho sentimento de açoite:
Porque o medo é fruto dessa vida bandida...

Luis Gustavo D. Pereira

13 setembro 2005

Questão de olhar...

É interessante quando olhamos as coisas comuns da vida por outro lado. Às vezes ,as coisas mais simples tornam-se assim as mais belas e as mais comuns acabam mostrando-se muito singulares. Dei-me conta disso um dia desses...

E os nossos pequenos...

É uma tarde comum, logo após o almoço. Satisfações de uns, atividades de outros e o meu irmão caçula, bebzinho ainda, aconchega-se no meu colo. Atuou a lei das afinidades: nós dois estamos sonolentos.
Então, recolho-me com ele ao quarto e à cama. Entre carinhos e canções, lentamente ele dormiu. Agora, o pequeno é um projeto de gente que está indiferente a tudo e a todos ao seu redor, pois já tem tudo o que precisa nesse momento: o lugarzinho macio que tomou para si e o barulhinho dos pássaros para lhe embalar os sonhos...
Mas, por falar em sonhos, os bebês fazem isso? Podemos tentar adivinhar, mas nunca vamos saber ao certo, mesmo porque se fazíamos isso quando nenéns, era tão bom que esquecemos, como a maioria das coisas que ocorrem em nossa primeira infância.
Sendo assim, durma, pequenino, durma e viaje em seus sonhos. Sonhe e, quando acordar, traga-nos alguma notícia desse teu maravilhoso mundo íntimo, traduzida nas formas mágicas dos teus olhares curiosos e de teus sorrisos sinceros e encantadores.


Luis Gustavo D. Pereira
(Direitos autorais da foto: Sítio http://www.belamamae.com.br)

10 setembro 2005

Tempos de evolução

Tenho medo do mundo em que vivo:
Do orgulhoso desmedido
E seu limite desconhecido,
Torturando aquele homem passivo.

Tempos de selva voltaram.
Mas piores: a inteligência de alguns presente
Algoz de um povo descontente,
Cujo quê fraterno afogaram.

Humanidade de passado sofrido,
Lições existem para se estudar!
justiça e bondade para melhorar
A vida desse povo orpimido.

Chegou a hora da mudança.
E de profunda reforma se carece,
Pois aquela menina de trança,
Para isso, ajoelha-se em prece.

Luis Gustavo D. Pereira

08 setembro 2005

Os pensamentos são atemporais?

Tomando o sentido lógico da vida, vemos que, para uma coisa ser registrada, ela deve acontecer primeiro. Isso constitui uma lei básica, por ser compreensível por todos,desde os graduados por universidades até os que são formados pela prórpia vida.
As maravilhas da tecnologia não fogem a essa regra. O que nos é mostrado pela mídia, resumindo o processo, tem de acontecer, para depois ser capturado pelas câmeras, ser transformado em zeros e uns, ir aos satélites, chegar em nossas casas e finalmente voltar a ser algum tipo de informação que compreendamos, certo? Como cada um desses acontecimentos depende da existência de um anterior, não ocorrem todos simultaneamente, o que provoca obrigatoriamente uma defasagem de tempo entre o fato em sia e sua reprodução nos finalmentes.
Sendo assim, porquê sofremos tanto assistindo a um jogo de futebol, por exemplo, se o que estamos vendo, na verdade, já aconteceu? E mesmo para aqueles que acreditam no poder das vibrações e de sua torcida, convém lembrar que estas chegam um tanto atrasadas ao seu destino, mesmo porque, para existirem, dependem do que a pessoa está vendo, ou seja, de uma coisa já atrasada.
Mas que essas idéias não cheguem ao conhecimento dos brasileiros. E que, se iso os faz felizes, continuem a se emocionar com coisas obrigatoriamente "antigas" e deixem de viver o presente para vibrar por um futuro que já está no passado. Entendeu? Eu também não, mas o seu Luis, santista roxo de não perder nenhum jogo, há de nos explicar. Seu Luis?

Luis Gustavo D. Pereira.

07 setembro 2005

Palavras mudas

Amo-te, teoria em segredo
Quando estás perto, esqueço o freio
E te amo, sem sossego.

Dizem alguns: é só paixão
Digo eu: é apego sem ilusão
E te amo, bem vermelho!

És toda doçura quando chego
Gentileza ou gostar com receio?
E te amo, nesse medo...

E me diz por quê menina, tanto me torturas
Com esses sinais de muitas ternuras?
E te amo, mas será que devo?

Amo, sério, antes de desejo
E quero-te, sim, para a vida inteira
Deixa eu te amar, dessa maneira?

Luis Gustavo D. Pereira

01 setembro 2005

Era uma vez...

Completei inha primeira nesga de vida. É certo que já vivi dezessete anos, mas esta década a que me refiro foi a primeira que registrei de fato.
Não me recordo de muitas coisas que antecederam esse período, somente momentos em família e brincadeiras prazerosas...Nesse tempo, já não me supreendia quando as coisas que já eram coisas antes que eu reconhecesse-as como tal deixaram de ser úteis e, algumas, de existirem também.
Nesse sentido, o sistema mudou um pouco. Não houve, por exemplo, a mesma indiferença de outrora quando tive de jogar fora o par de meias, comprado com tanta alegria, só porque agora cada uma delas cotem uma dúzia de furos. Fui outro também ao rebaixar à condição de pijama aquela camiseta que o suado dinheirinho, fruto do trabalho na bomboniere, trouxe ao meu convívio, só porque agora tem uma mancha de café, modesta para mim e espetacular aos olhos alheios. Isso para não falar do boné, guerreiro samurai que finalmente se rendeu, ou do relógio, lindo para aquela menina especial, mas que pediu licença por tempo indeterminado.
Falo aqui somente das coisas porque, desculpem-me a ignorância, nunca pude acompanhar a vida inteira de alguém. Por isso, penso que o que sentimos quando uma pessoa – que já estava aqui quando viemos à luz – finalmente se aposenta de viver não é propriamente compaixão, como o que sentimos por algo cuja existência compreendemos totalmente. Na verdade, é uma espécie de medo misturado com revolta, pois o ser em questão, de um modo ou de outro, tinha um papel em nossas vidas que muitas vezes se igualava a uma cargo cujo concurso de admissão requisita características que somente aquele ocupante apresentava, sendo impossível que se encontre alguém para ele.
Fora esse sentimento, toca-nos o íntimo somente a falta, ou antefalta, daquilo que compreendemos perfeitamente(as mulheres são outra história). E por esse pequeno motivo, vejo que termino o primeiro capítulo da minha vida, fechando-o ao ver a bota, comprada conscientemente há alguns anos, que acabou de descolar seu solado.

Luis Gustavo D. Pereira