12 novembro 2005

Que atire a primeira enciclopédia quem nunca resumiu algo em sua vida!

Primeiro, gostaria de me desculpar com meus amigos blogueiros. O SENAI e a escola têm me tomado quase todo o tempo, o que tem feito com que so pudesse postar no fim de semana. Para vcs terem uma idéia, tenho ainda que resumir um capítulo d' "O Primo Basílio"...E por falar em resumos...
Logo quando entramos na escola, e durante nossa vida lá, várias vezes somos obrigados, oficial ou oficiosamente, a resumir coisas, mesmo que nunca tenham nos ensinado o modo correto de o fazer. Assim, como "resumir" rima com "diminuir", vamos diminuindo, tiramos palavras aqui, frases ali e até parágrafos inteiros acolá, tirando junto, na maioria das vezes, o nexo da coisa. E ai do professor se perguntar qual o sentido do texto...:
- Sentido? Que sentido? O senhor só pediu para resumir e, olha aí, tá resumido!!
Depois disso, começam a nos cobrar esse tal de sentido, que também não foi nos apresentado oficialmente. Mas, com jeitinho brasileiro, fazemos essa nova amizade
É quando estamos realmente aprendendo a pensar e colocar não só mais os textos mas muitas coisas da vida no processo de "cortar o supérfluo e ir direto ao objetivo". E aí aprendemos também que, quanto mais se corta, mais fácil fica para chegarmos ao final e que, se não tomamos cuidado, não sobra muito para ele. Aplicando isso na "prática da vida", ela nos vai ficando mais rápida, por assim dizer...
É daí que vem a tendência resumista do brasileiro, que se faz presente no "tá", no "falô", no "tu vai", e por aí "nóis vai.
E, ultimamente, essa tendência invadiu também o campo do amor. Outro dia, estava conversando com um grupo de colegas à noite. Animação geral e tudo o mais, quando um dos garotos convidou uma das meninas para sair. Ela aceitou e, depois de se despedirem do resto do pessoal, eles se foram (sair). Voltaram depois de uns vinte minutos. Se não soubesse de antemão o que ocorre nessas saídas, juro que ficaria surpreso. Antigamente, sair tinha o sentido geral de dar uma volta, conversar, tomar um sorvete, coisinhas do gênero e , caso a coisa fosse boa mesmo, rolava aquele beijo, selando uma alegria em comum. Antigamente. Hoje é raro que isso aconteça. E porquê? Por culpa da bendita tendência resumista, que agora se preocupa somente com as partes essenciais da coisa: o "oi", o "beijo" e o "tchau", porque, muitas vezes, só vai se saber o nome do outro dias depois...
É, os professores têm conseguido incutir uma parte da idéia de resumir, aquela que consiste em tirar tudo o que possa deixar o processo lento. Só faltou explicar que a idéia de começo, meio e fim tem que existir e que a conclusão somente pode existir se, de fato, tem-se algo para concluir. Tanto nos textos, como nas outras coisas
Luis Gustavo D. Pereira

6 comentários:

Karol disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Karol disse...

Realmente! Sou professora de língua portuguesa e tenho plena consciência de que muitos dos meus colegas de profissão não ensinam aos seus alunos o que é "resumo". O resumo é simples e puramente o fato de "transcrever com suas palavras, sucintamente, a mensagem do objeto a ser resumido. Resumo não quer dizer "diminuir" como muitos pensam, mas sim sintetizar a idéia central do texto lido sem apresentação de opiniões, pois então seria uma resenha.
Até mais! Espero que isso possa te ajudar!

Edgar Borges disse...

20minutos? o povo é rápido no gatilho por aí.
sobre os resumos, depois que inventaram o google ninguém mais faz resumo,só copia.
admito que até eu já entrei nessa.

tarciso disse...

Luis Gustavo... eu gostei muito deste seu texto - ele é um resumo do que penso sobre as "desmontagens" que se faz de um texto para se chegar a um resumo.

Luiggi Lustosa disse...

Essa parada realmente é sinistra, as pessoas pulam as etapas e esquecem de curtirem a vida de verdade... acho q a frase o apressado come cru fikou pra tras hehehe uma pena né não...

Ronaldo Santos disse...

Resumo?
Nesse país da educação, somos todos ensinados, ou vc não mora aqui??

Abraços!