24 setembro 2005

Coisas de criança...

- Gustavo, vá até a padaria e compre seis médias e quatro carás...
Somente nesso momento, percebi que a infância realmente fora embora, levando consigo a mágica que fazia as coisas acontecerem sem que eu percebesse.
As bolachas, por exemplo, sempre apareciam no armário e, por saber disso, eu ficava furioso quando alguém dizia que elas tinham acabado. E perguntava mais dez vezes sobre as guloseimas, pois só poderia ser um erro daquela pessoa que dava a triste notícia. Pois as bolachas sempre estavam lá. Sempre
Outra coisa é que conscientemente, eu sabia que , em determinado dia da semana, as roupasseriam lavadas. E inconscientemente, tinha comigo que, por mais que usasse essas vestimentas, elas fatalmente retornariam limpas e cheirosas para o armário. Mas confesso que não foi de pronto que percebi que as roupas mantinham-se limpas porque eram lavadas em determinado dia da semana.
Aconteceu quase o mesmo com a situação "papel higiênico". Ainda que o usasse, ele sempre se enchia sozinho. Até o dia que ele acabou bem no meio de um "serviço": travei-me, olhando para o rolo vazio - que não se encheu sozinho - sem saber o que fazer. Deu medo. Medo chama perigo. Para o perigo, a solução eficaz: manheeeeeê!!!!!
Mas, no fundo, a criança precisa dessa segurança de saber, ou melhor, de sentir, mesmo que não saiba, que tudo o que precisa estará lá. Quando ela cresce um pouco, acaba aprendendo o "porquê" de as coisas estarem onde estão. Depois, conhece o modo de fazê-las ir para lá. E aí, passado um tempo, escolhe o "porquê" ou o "como" e se dedica totalmente ao assunto, isso quando não estuda mais um pouco e vai aprender a "fazer" as coisas que antes somente usava.
E, com a busca matinal dos pão - que outrora surgia quentinho, já com margarina e junto de um copo de leite em cima da mesa - tive de aceitar o fato de que os períodos de estabilização mental denominados primeira e segunda infância oficialmente tiveram seu fim e que a mágica acontece somente quando naturalmente falamos, mesmo que seja no pensamento:
- Ah, então é assim que isso acontece!
Não tenho experiências suficientes, mas arrisco-me a dizer que a mágica, na verdade, é viver...
Luis Gustavo D. Pereira

4 comentários:

Anônimo disse...

Temporary-Home Plan Announced
Saturday, September 24, 2005; Page A15 The federal government will spend about $2 billion to provide temporary housing for victims of Hurricane Katrina, officials announced yesterday.
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Anônimo disse...

Olá Luís Gustavo, em primeiro lugar obrigado pela visita lá em casa, melhor dizendo lá no blog (iihh... acho que isso é contagioso, risos). Apesar de gostar muito do blog, ainda não dei a ele o embalo que pretendo, em razão de alguns impedimentos; mas tenho certeza que isso acontecerá brevemente. Quanto ao seu pedido de linkar o meu blog, esteja à vontade, até lhe agradeço por isso. Inclusive depois vou linká-lo também, ok? Parabéns pelo "Condensador de Pensamentos", tenha certeza que ganhou mais um amigo, pois o conteúdo é muito legal. Esse último post então... Um grande abraço pra você e até a próxima. Tchau!

Anônimo disse...

Oiiiii!

"a mágica, na verdade, é viver..."

Adorei a frase!
A crônica então, muito boa!
Você simplesmente explicou o ciclo de vida de uma forma mais alegre!
Adorei mesmo!

Bjinhus poéticos!

Edgar Borges disse...

na veia. é como quando se descobre que aquele monte de gente não está na TV, que nunca iremos voar sem estar num avião e que dinheiro não nasce na carteira do pai ou da mãe. de qualquer forma: viva a fantasia!!!!!!!!!